Chegou a hora de recomeçar. Zerar e recomeçar.
Último post. Escondo os motivos.

Chegou a hora de recomeçar. Zerar e recomeçar.
Último post. Escondo os motivos.
- Fique aqui na esquina, não deixe ele te ver.
- Eu não estou entendendo… Porque tenho que ficar aqui?
- Também não sei, apenas sinto. Eu vou lá na árvore, fique olhando pra mim, quando ele aparecer, tire uma foto, ou sei lá, apenas me diga se ele é real.
Ela caminhou em direção a árvore. Minutos depois ele chegou.
- Olá.
- Oi.
Eles sorriram.
- Tudo bem com você?
- Sim, estou bem. É um pouquinho estranho dizer isso. Sabe, mudei minha forma de pensar e enxergar as coisas, isso me fez bem. Não é que eu desisti de tudo, ou quero esquecer, não é isso. Só deixei de colocar isso no centro de tudo. É claro que tem dias que dá aquela recaída nos pensamentos, e bate aquela tristeza, mas não me afundo mais nela. Não deixo mais ela tomar conta de mim. Eu ando sorrindo mais…
- Que bom, era isso o que eu precisava ouvir. Agora já posso partir.
- Partir? Pra onde?
- Sim, partir.
- Mas… Eu nunca mais vou te ver? Se for assim, retiro o que disse, não estou nada bem…
Ele riu.
- Ah, “nunca” é uma palavra muito forte, e eu sempre estarei com você.
- E você vai partir sem me dizer quem você é?
- Eu já contei, ou melhor, estou contando. Sabia que você ia dar um jeito de descobrir.
- Está contando?
- Depois pergunta para a sua amiga ali na esquina. Agora eu tenho que ir…
- Fique.
- Eu sempre estarei aqui.
- Então… Adeus… E obrigada por tudo.
- “Adeus”… Você precisa parar de ser dramática, sério. Até logo.
Então ele partiu.
- E então, você o viu?
Silêncio.
- Ele estava lá?
- Claro, estava falando com ele até agora…
Ela estava séria. Assustada.
- Não… Você estava falando sozinha.
- Pensei que não iria fugir hoje. Não te vi na árvore, como de costume.
- É, resolvi ficar aqui na esquina hoje.
- É apenas uma esquina, ou tem algum significado também?
- Ah, só uma imagem, em especial…
Silêncio.
- Mas me conta, como você está?
- Não sei. Normal, talvez. Acho que tudo isso está se tornando normal. A ausência, e tudo mais. Não há mais o que fazer. Eu vou viver, deixar o tempo passar e me dizer o que vai acontecer. Só preciso aprender a não pensar nisso o tempo todo. Isso não significa desistir, ou esquecer… É apenas não mais precisar de algumas coisas para sorrir.
- É, concordo. Sabe, fique tranquila. Nem tudo é como imaginamos, pessoas agem diferentes do que imaginamos, pensam diferente… Cabe a nós fazermos o mesmo questionamento, será que agimos corretamente com relação a elas?
Ela baixou a cabeça. E, silêncio.
- Pela primeira vez você fez uma pergunta que eu não sei responder, e pela primeira vez, você falou mais de uma frase… Eu realmente queria saber quem você é…
- Você só precisava de alguém para te escutar, e depois que colocasse tudo o que você guardava e te fazia mal pra fora, você precisava de alguém para te fazer pensar. Então eu estou aqui. Eu sempre estou.
- Já que você aparenta saber tudo, deve saber que eu não gosto de mistérios. Diga, quem é você?
- Você não gosta de mistérios, mas vai dar um jeito de descobrir… E eu vou deixar você descobrir. Acho que já é hora de “partir”.
Sorriu, e foi embora. Ela ficou ali, olhando, até ele virar a esquina.
- Olá.
- Você de novo?
- Desculpe, eu vou embora.
- Não, desculpe, é que eu nem te conheço, e você sempre vem falar comigo. Fique.
- Como você está hoje?
- Do mesmo jeito, talvez pior. Não sei. Acho que tudo se perdeu de vez. Acho que eu estou perdida de vez.
- Perdida? Por quê?
- Porque não sei pra onde ir. Não sei o que fazer. Ou até sei, mas não quero, não consigo. Sabe, eu tenho muita esperança, e tem hora que ter esperança não é o bastante. Precisa mais que isso.
- O que precisa?
- Seria o “quem precisa”.
- De quem você precisa?
Silêncio.
- Hoje a lua não está cheia… Isso é bom.
Ela sorriu.
- Não gosta de lua cheia?
- Não.
- Por quê? Todo mundo gosta de lua cheia.
- Eu não gosto. Por causa de uma canção que eu nunca ouvi. E ela me traz muitas lembranças.
- Mas é só uma lua… Da mesma forma que é só uma árvore.
- Árvore? Não estávamos falando da lua?
- Por que você fica encostada nessa árvore quase todas as noites?
- É apenas um lugar, apenas uma árvore, como você mesmo disse.
- Então me explica os sentimentos que existe nos seus olhos quando você se encontra com ela.
Silêncio.
- É o único lugar que tenho para fugir. Às vezes é bom fugir…
- Às vezes? Você fica aqui todo dia.
- Pra você ver como as coisas não estão boas. E, como você sabe disso? Essa é a segunda vez que você vem falar comigo.
- Eu sempre estou com você.
- Quem é você?
Silêncio.
Ele se levantou, olhou para ela e sorriu.
- Alguém.
- Tudo bem com você?
- Não sei. Ou talvez saiba, mas não encontro argumentos suficientes para te convencer, ou te fazer entender.
- Ah, fala o que você acha então. Não precisa me convencer nem se preocupar se vou entender ou não. Sei que você precisa falar. E eu estou aqui para te ouvir.
- Vou tentar definir alguma coisa…
Ela fechou os olhos, e apenas sentiu. Lembranças, medo, incertezas, por quês, ausência, silêncio.
- Não. Eu não estou bem. Tudo está tão estranho. Ou o estar estranho se tornou o normal. Eu não quero esse normal. Talvez um pouco de raiva também contribua para o não sentir bem.
- Raiva?
- Não é bem raiva, não sei outra palavra para definir. Raiva por não ter respostas. Pelos dias passarem e nada mudar. Pelo tempo passar, e eu estar no mesmo lugar. Raiva por ser dependente. Por não saber o que fazer. Por estar andando no escuro, apenas indo, sem saber pra onde e o que vai encontrar no próximo passo. Uma pedra, um buraco, ou o fim de tudo…
- Se você tem raiva, por que continuar andando no escuro?
- Por que…
Silêncio.
- Desculpe, não precisa responder.
- Eu sei te responder. Sei muito bem o porquê, e não duvido disso. Mas… Não consigo falar. Está aqui dentro, eu sinto, eu sei. É, praticamente, a única coisa que sei.
- Então, basta.
- Não… Definitivamente, não basta. Repito, é como andar no escuro…
Ela levantou a cabeça, e fixou o olhar na lua cheia, deixando transparecer a tristeza que a imagem despertava.
- Eu não gosto de andar no escuro.
Então ela sorriu. Olhou com certa afeição para a árvore que estava encostada, colocou os fones no ouvido e saiu de braços cruzados até virar a esquina.
Parece idiota. Mas não é.
Tentei começar esse texto 3333 vezes. Talvez apague isso que acabei de escrever. Mas foda-se. Vou tentar não pensar. Apenas sentir e escrever. Sentir e escrever, e não saber, e sofrer, e…
Só queria conseguir chorar. Essa é a única coisa que está no meu alcance para tentar aliviar. Aqui dentro está tudo seco, mas não tão no fundo assim… O coração ainda pulsa. Talvez por isso tudo está assim.
Estou no escuro. Apenas andando. Não tenho consciência dos meus passos. Sinto que estou apenas indo. Indo… Mas pra onde? Mais uma pergunta para a lista das “Respostas ausentes”.
Tudo fica tão clichê. Até o próprio ato de dizer que é clichê. O tempo virou clichê. Não aguento mais esperar alguma coisa cair do céu e mudar tudo. Só vejo coisas saírem do inferno e fuder tudo.
Penso nos motivos para me sentir assim, as vezes as coisas aparentam ser tão simples, fáceis e pequenas. NÃO, NÃO É PORRA NENHUMA. Não me venha falar que estou sendo idiota. Estou cansada de ouvir isso. Estou cansada de não ter chão seguro para seguir em frente. Cansada de não saber o que fazer. De não saber pra onde ir. De não ter pra onde ir quando as coisas ficarem piores… Sim, vão ficar piores… E não me venha falar que não, que tudo vai ficar bem. Pode até ficar, mas ouvir isso só dá mais raiva, porque não vibra mais.
É como uma melodia de Am, C, G e F. Repetitivo, sem graça, clichê, que dá pra encaixar em qualquer música e sair cantando.
Pensei que me sentiria melhor, jogando essas palavras aqui. Mas nem essa porra está ajudando em alguma coisa. E não, não estou me importando com o que vão pensar quando lerem isso. Só eu sei como as coisas estão escuras por aqui. Só eu sinto essa minha vontade de sair gritando e quebrando tudo, mesmo sabendo que não ia mudar nada.
Sei lá… O não saber me irrita. As correntes me irritam. Não conseguir libertar tudo isso me irrita.
Música nenhuma vai vibrar aqui dentro. Violão nenhum vai tirar o som daqui de dentro. Talvez uma pessoa consiga fazer essa tempestade passar, e enfim me fazer sorrir.
Eu só queria conseguir chorar…